Você sabe o que é um beijo?
Ensina-me por favor, eu que nunca tive beijo.
Você sabe sorrir?
Ensina-me por favor, que de verdade não sei rir.
Você sabe sentir?
Por favor!, ensina-me a lidar com eles.
Você sabe o mistério das coisas?
Vamos procurá-lo juntos - gosto de companhia -, e descobrirmos que não há algum.
Você tem uma religião?
Então, me ensine a religar à divindade da própria Terra.
Você sabe o que é uma cor?
Ensina-me a colorir o mundo sem pincel, e a pintar de branco uma tela branca.
Você sabe o que é a esperança?
Ensina-me a tê-la.
Você sabe muitas coisas(?).
Ensine-me então.....,
Todas estas diminutas Grandes Coisas da Alma e do mundo.
Dei-me seus olhos,
E ficarei encantado;
Tornando as coisas belas com o tão só olhar.
Ensina-me, eu que ser eu mesmo eu não sei.
Ensina-me a estar em mim - serei um bom discípulo.
Você sabe o que é o amor?
Ensine-me por favor;
Serei um bom discípulo.
Você sabe viver?
Ó,ensine a quem o próprio ar sufoca,
Para então chegada a hora eu saiba
Morrer
( Serei um bom discípulo ).
Francisco Maximiano da Silva
Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às
2:54 PM
26.10.04
O que Você Vê? Tive a impressão de um olho. O ponto e negro, a pupila; o Sol: um brilho no olhar - de Deus(?)-, que observa dentro de nossos almas; o talo, o nervo ótico. Mas, tudo isso não é olho, é nosso próprio olhar, e então descobrimos que o que vemos, foi nós mesmos. A isto chamo: subjetivismo, mas duvido que a plantinha tenha alguma consciência disso, além daquela que nós subjetivamente lhe atribuímos, e que portanto, não pertence a ela. O que vi foi um olho; mas meu próprio olho ( não, não era o de Deus ), e ele - o meu olho - me olhava do outro lado sem espelho.
Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às
11:19 AM
21.10.04
Roxo
Para mim,
Roxo é alguma coisa
Entre o Azul quentíssimo
E o frio Vermelho ( gélido ).
Motivo idiossincrático pelo qual gosto dele.
( O que diz esta poesia?
Ora!, NADA;
Exceto que gosto de Roxo
E ainda mais de Azul e Vermelho. )
Poesia de: Frank Leber
Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às
5:39 PM
14.10.04
Meu estado ultimamente
Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às
1:19 PM
5.10.04
( Uma Vovó)
Burro Sem Rabo
Já vimos muitos,
Honrados
Catadores de papel das ridículas grandes cidades
Que nem sequer são notados.
Se não são notados,
Olhamos mas não vimos foi nada.
Vi a catadora de papel,
Burro sem rabo e sem rumo,
Mas com um rumo certo para lugar nenhum, ou talvez o
que chamamos insucesso.
Senhora dona - com certeza avó -
Aparentava uns sessenta anos ou mais,
Com um vestido de trapos amarratados que não aparecerá
no SP Fashion
(Meu Deus! Eu repairei-lhe a roupa ).
( Neste momento noto que este poema não tem nenhum
lirismo,
Nem sei se é um poema mesmo,
Assim como aquela senhora, que não sabemos se ela e a
Vera Fisher são igualmente humanas ).
Passei de ônibus, ela continuava a puxar sua
carrocinha ainda vazia a procura de papel e latinhas de
alumínio -
Mas no meu utópico sonho, ela estava contando
estóreas para os netos -;
Foi até a padaria chique que tem pelo ali que pode
ser qualque lugar "chique",
Para ver se encontrava alguma coisa,
Não sei se incomodou os fregueses,
Vai ver, a viram sem ver.
Senti tristeza,
Mas esse tem sido o meu estado natural -
E novamente não há lirismo nenhum nisto.
Ninguém no ônibus desceu
Uma única lágrima por causa dela;
Eu desci adiante da padaria que vendia pães caros,
Tive vontade de chorar,
Mas contive as minhas.
Nenhuma lágrima desceu.
O que mudou?
Amanhã a vovó continuará catando papel e alumínio,
E eu melancólico
( Queria ser como os outros, ou então o próprio
ônibus ).
Francisco Maximiano da Silva.
Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às
9:01 AM